O Azul tão perto
Carrego a alma pesada,
mas entro neste jardim,
e do peso aliviada,
entro num espaço sem fim…
A brisa soprando as folhas,
as folhas dançando em mim,
o céu azul entre os ramos
começam falando assim:
― “És tão leve como as plantas,
é em ti que paira o dia.
Sobes no ar quando cantas,
como faz a cotovia…
Há em ti um chão sereno
onde vês, maravilhada,
subir o trevo pequeno
e a erva delicada.
E depois, se ergueres os olhos,
e olhares o azul do céu,
a tua alma se alarga,
se alarga, pois percebeu:
Ah! Como o azul está perto,
e sorri desta maneira!
Vive em ti o Espaço Aberto,
e chama-te a vida inteira !!”
Luísa Barreto
Pelo caminho das fadas
Lisboa, C.L.U.C., 1997