A Prenda que Eu Queria

Se tu me entendesses,
se tu me entendesses,
meu pai, meu professor, meu amigo
Se tu me entendesses,
eu podia falar contigo
Não na tua linguagem, mas na minha
Podia até brincar contigo,
contar-te histórias de bichos de conta,
de borboletas azuis e amarelas,
de estrelas e pássaros
Se tu me entendesses,
se tu pudesses regressar até mim,
subindo ou descendo
Eu podia abraçar-te, sem mais nada,
só abraçar-te!
Se tu me entendesses, eu não queria nada
do que tu me queres dar
Se tu me entendesses, eu ficava tão contente
tão contente, que o meu riso havia
de alegrar o teu mundo triste
Se tu me entendesses, eu… eu sei lá!
Se tu me entendesses,
eu fazia-te festas,
andava contigo de mão dada,
cantávamos juntos
a canção da vida,
corríamos pela erva verde
Se tu me entendesses, ah! se tu me entendesses,
não me ralhavas, não me davas ordens,
não me batias, não me magoavas
Se tu me entendesses, neste dia,
que dizes que é meu,
Se tu realmente me entendesses

NÃO QUERIAS FAZER DE MIM
UM HOMEM COMO TU

E eu dava-te um beijo

Um menino do mundo

Júlio Roberto
A prenda que eu queria
Lisboa, ITAU, 1978

Compreendes, certamente, as razões que levam o menino a estar triste. Queres falar de algumas delas?



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