Archive for the 'liberdade' Category

Poesia

 

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Poesia é beleza,
riqueza sem fim.
Faz nascer a ternura
e sentir a doçura
da flor de jasmim.

No deserto da vida
e na escuridão,
é paz renascida,
é luz oferecida
em comunhão.

No silêncio do mundo,
é firme expressão.
Não busca vaidades
mas busca a verdade
e a rectidão.

Poesia é dom,
infância encantada,
alegria sentida
na senda perdida
e reencontrada.

Nascem as palavras,
sementes de amor,
que voam nos ares
e vogam nos mares
em ondas de cor.

São pobres os homens
que gritam rancor
e vivem na ânsia,
na cega ganância,
semeando dor.

Ignoram os homens
que a simplicidade
os abre à beleza,
à grande riqueza
da fraternidade.

Poesia é sonho,
é pássaro, luz,
arco-íris de sons.
Mensagem de paz
e voz que nos traz,
do fundo das cinzas,
a esperança perdida
na vida e seus dons.

Anónimo

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O papagaio de papel

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Queres dar voz ao papagaio de papel de que nos fala o poema? Pensa na sua inquietação, nos seus sonhos, na sua ânsia de fugir…

Golo

 

Os meninos

Que jogam à bola na minha rua

Jogam com o Sol

E os pés dos meninos

São pés de alegria e de vento

A baliza uma nuvem tonta

À toa

Na luz do dia

E eu olho os meninos e a bola

Que voa

E ouço os meninos gritar: Go…o…lo!…

E não há perder nem ganhar

Só perde quem os olhos dos meninos

Não puder olhar

Matilde Rosa Araújo

Mistérios

Lisboa, Livros Horizonte, 1988

Quem são, a teu ver, aqueles que não podem olhar “os olhos dos meninos”?

Pelo sonho é que vamos

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Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos,
basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

─ Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama
Pelo sonho é que vamos
Lisboa, Ed. Ática, 1992

Gengis Khan

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Aí está ele, passando revista às tropas

Com a sua armadura reluzente.

Os seus pés levantam ondas de poeira

E ninguém ousa fitá-lo de frente.

Na sua couraça quebram-se as lanças inimigas

E um gesto seu põe em fuga um exército inteiro

… Mas não pode dobrar-se para apanhar uma flor

Nem coçar as costas, o poderoso cavaleiro.

 

Álvaro Magalhães

O reino perdido

Porto, Ed. ASA, 2000

Quatro mil soldados

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Os 4.000 soldados caminham pela estrada fora, indiferentes à beleza da vida. Para onde pensas que se dirigem?

Aquário

Vivia no mar largo

e era feliz

feliz.

Sabia os sítios seguros

onde os maiores e mais duros

não podiam atacar

não o podiam caçar

não o podiam comer.

E continuava a viver.

Quando nadar o cansava

uma alga procurava

e dormia um bocadinho

e a onda que o embalava

era amiga do peixinho.

A onda amiga ondulava

enquanto o acalentava

aquecia

arrefecia

e para longe o levava.

Tão longe

tão vasto o mundo…

o seu mundo!

Tão largo, alto e profundo!…

Que alegria de nadar!

Mas um dia aconteceu

que um fenómeno se deu:

foi pescado

foi levado

para fora do seu mar

para longe do seu lar

transportado

bem fechado

numa prisão de cristal.

E

se não lhe fizeram mal

se o não comeram com sal

está muito descontente

nessa prisão transparente

à vista de toda a gente.

Alice Gomes

Bichinho Poeta: Poesia (também para crianças)

Lisboa, Gráfica Santelmo, 1973