Archive for the 'poemas com sugestão de actividades' Category

O papagaio de papel

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Queres dar voz ao papagaio de papel de que nos fala o poema? Pensa na sua inquietação, nos seus sonhos, na sua ânsia de fugir…

O berlinde

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És capaz de imaginar qual o segredo que a estrela queria dizer ao Mundo?

Golo

 

Os meninos

Que jogam à bola na minha rua

Jogam com o Sol

E os pés dos meninos

São pés de alegria e de vento

A baliza uma nuvem tonta

À toa

Na luz do dia

E eu olho os meninos e a bola

Que voa

E ouço os meninos gritar: Go…o…lo!…

E não há perder nem ganhar

Só perde quem os olhos dos meninos

Não puder olhar

Matilde Rosa Araújo

Mistérios

Lisboa, Livros Horizonte, 1988

Quem são, a teu ver, aqueles que não podem olhar “os olhos dos meninos”?

Balõezinhos

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Manuel Bandeira

Antologia Poética

Rio de Janeiro, José Olympio, 1989

Por que motivo, ali na feira, os balõezinhos de cor são a “única mercadoria útil e verdadeiramente indispensável” para os meninos pobres?

Quatro mil soldados

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Os 4.000 soldados caminham pela estrada fora, indiferentes à beleza da vida. Para onde pensas que se dirigem?

Envelhecer

Envelhecer

É bom envelhecer!

Sentir cair o tempo,

magro fio de areia,

numa ampulheta inexistente!

Passam casais jovens

abraçados!…

As árvores

balançam novos ramos!

E o fio de areia

a cair, a cair, a cair…

Saúl Dias

Obra Poética

Porto, Campo das Letras, 2002

É bom envelhecer, se temos alguém que nos dê apoio e carinho. Mas, quando isso não acontece, envelhecer torna-se muito doloroso. Concordas?

A Prenda que Eu Queria

Se tu me entendesses,
se tu me entendesses,
meu pai, meu professor, meu amigo
Se tu me entendesses,
eu podia falar contigo
Não na tua linguagem, mas na minha
Podia até brincar contigo,
contar-te histórias de bichos de conta,
de borboletas azuis e amarelas,
de estrelas e pássaros
Se tu me entendesses,
se tu pudesses regressar até mim,
subindo ou descendo
Eu podia abraçar-te, sem mais nada,
só abraçar-te!
Se tu me entendesses, eu não queria nada
do que tu me queres dar
Se tu me entendesses, eu ficava tão contente
tão contente, que o meu riso havia
de alegrar o teu mundo triste
Se tu me entendesses, eu… eu sei lá!
Se tu me entendesses,
eu fazia-te festas,
andava contigo de mão dada,
cantávamos juntos
a canção da vida,
corríamos pela erva verde
Se tu me entendesses, ah! se tu me entendesses,
não me ralhavas, não me davas ordens,
não me batias, não me magoavas
Se tu me entendesses, neste dia,
que dizes que é meu,
Se tu realmente me entendesses

NÃO QUERIAS FAZER DE MIM
UM HOMEM COMO TU

E eu dava-te um beijo

Um menino do mundo

Júlio Roberto
A prenda que eu queria
Lisboa, ITAU, 1978

Compreendes, certamente, as razões que levam o menino a estar triste. Queres falar de algumas delas?


Horizontes – pdf