Archive for the 'ternura' Category

Poesia

 

anonimo.jpg

Poesia é beleza,
riqueza sem fim.
Faz nascer a ternura
e sentir a doçura
da flor de jasmim.

No deserto da vida
e na escuridão,
é paz renascida,
é luz oferecida
em comunhão.

No silêncio do mundo,
é firme expressão.
Não busca vaidades
mas busca a verdade
e a rectidão.

Poesia é dom,
infância encantada,
alegria sentida
na senda perdida
e reencontrada.

Nascem as palavras,
sementes de amor,
que voam nos ares
e vogam nos mares
em ondas de cor.

São pobres os homens
que gritam rancor
e vivem na ânsia,
na cega ganância,
semeando dor.

Ignoram os homens
que a simplicidade
os abre à beleza,
à grande riqueza
da fraternidade.

Poesia é sonho,
é pássaro, luz,
arco-íris de sons.
Mensagem de paz
e voz que nos traz,
do fundo das cinzas,
a esperança perdida
na vida e seus dons.

Anónimo

Anúncios

Golo

 

Os meninos

Que jogam à bola na minha rua

Jogam com o Sol

E os pés dos meninos

São pés de alegria e de vento

A baliza uma nuvem tonta

À toa

Na luz do dia

E eu olho os meninos e a bola

Que voa

E ouço os meninos gritar: Go…o…lo!…

E não há perder nem ganhar

Só perde quem os olhos dos meninos

Não puder olhar

Matilde Rosa Araújo

Mistérios

Lisboa, Livros Horizonte, 1988

Quem são, a teu ver, aqueles que não podem olhar “os olhos dos meninos”?

Balõezinhos

baloes-poema-copy.jpg 

Manuel Bandeira

Antologia Poética

Rio de Janeiro, José Olympio, 1989

Por que motivo, ali na feira, os balõezinhos de cor são a “única mercadoria útil e verdadeiramente indispensável” para os meninos pobres?

Vida

vida-copy.jpg

Apreciar com amor

A flor da primavera

E o bordo do outono

É corresponder à infinita bênção

Que nos é concedida por Deus.

Deleitando-nos com a arte,

Somos purificados em corpo e alma:

Isso sim, é bênção divina.

Fazendo das flores, dos pássaros,

Do vento e da lua

Meus amigos,

Desejo viver alegremente

Mesmo neste mundo cheio de sofrimentos.

Mokiti Okada

Quando eu nasci

quando-eu-nasci-copy.jpg

Quando eu nasci,

ficou tudo como estava,

nem homens cortaram veias,

nem o Sol escureceu,

nem houve Estrelas a mais…

Somente,

esquecida das dores,

a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,

não houve nada de novo

senão eu.

As nuvens não se espantaram,

não enlouqueceu ninguém…

Pra que o dia fosse enorme,

bastava

toda a ternura que olhava

nos olhos da minha Mãe…

Sebastião da Gama

Serra-Mãe: poemas.

Lisboa, Ed. Ática, 1996

A propósito de mãe e poesia…

A propósito de mãe e poesia…

copia-de-mae.jpg

Maria Alberta Menéres, a propósito do seu livro O poeta faz-se aos 10 anos, relata uma situação de aula em que a mãe era o tema sobre o qual os alunos tinham de escrever. Observa os resultados dessa aula.

Um tema difícil: a mãe

Há tanta coisa a dizer e parece que não se consegue dizer nada. A emoção sobrepõe-se ao pensamento. É sempre assim quando se propõe que escrevam sobre a mãe. Dolorosa e concentrada se pressente então a escrita. Mas reparo: sempre de uma beleza e de um insólito, por vezes insuspeitados.

Motivação:

Lembro-lhes que a mãe pode estar em tudo o que se vê, se a quiserem ver. Como a poesia: na parede branca, no mar, nas escamas do peixe a brilhar ao sol, no sol, no ar, nas pedras, até nas palavras que a caneta desenha no papel, no giz branco que escreve no quadro a palavra mãe. A mãe ou a imagem da mãe. Tal como acontece com a poesia, do olhar para as coisas de todos os dias podemos extrair um sentido que é presença ou saudade.

Escreveu o Raul:

Os olhos da minha mãe são como as escamas
Os olhos da minha mãe são como as escamas
reluzentes dos peixes do mar.
O mar é o seu corpo
e o seu coração é o Sol.
Os seus cabelos são como as penas de um galo,
a sua boca é suave como o vento
as suas mãos são finas como areia.
Os seus dentes são de marfim.
O meu amor por ela é tão grande
que nem posso dizer.

O maroto do Salgueiro, que até nem é feio, saiu-se com este pequeno poema:

Mãe, como tu és bela.
Já me disseram
Que sou parecido contigo.
Este dito me consola,
porque me acho feio.
Mas se sou parecido contigo,
como posso ser feio?
Mãe, mãe, eu sou bonito
porque tu és bela.

O caçador de borboletas

o-cacador-de-borboletas-copy.jpg